Valores ao avesso
“Ordem e progresso, sua bunda é um sucesso. Nádegas a declarar.”*
Cresce o número de mulheres que esbanjam inteligência, charme, confiança, capacidade de liderança e atitude. Cresce também, o número de mulheres que regridem nesta montanha russa, e de gente, passam a ser “cachorras”... Os homens dominam o mundo do tráfico, ganham milhões com isso e de quebra se divertem nos bailes funk vendo as “cachorras”, moças que se sentem modernas e atualizadas se desfazendo mulher rebolando até o chão e, curtem, mostrando as “canjicas” quando são chamadas de animais.
Eu respeito a capacidade que o funk tem em animar as pessoas. Realmente é quase impossível ficar parado sob as batidas empolgantes. Assim como muita gente, já fui à festas que tocavam este ritmo entre outros e nem por isso deixei de me divertir. Não quero pregar aqui o moralismo, mas não sou obrigado a concordar que o que é pregado nas músicas deve ser estendido à vida pessoal de muita gente. Há alguns dias, testemunhei crianças de nove, dez anos cantando na rua “sou cachorra, sou cachorra!” Não sei se eu culpo os pais, a falta de oportunidade, a precária assistência governamental, ou inversão de valores.
Essa gosma desceu os morros e subiu os elevadores dos prédios dos bacanas da zona sul, entrou por baixo das portas dos quartos das “patrícias” e as contaminou, para alegria da molecada, “dos sangue bão”, dos caras, dos manos, dos brothers e para a infelicidade e patetice de muitos pais.
A moda do “vai até o chão” reacendeu a excitação sexual de muitas, apagando a sensatez e a capacidade de julgamento do correto para o canastro. E o excesso de cerveja, de vodka com refrigerante, a maconha, a merla, cocaína, a falta de inteligência emocional, os choros de muitos marmanjos e marmanjas desnorteadas do Big Brother vieram para homogeneizar este preparo e completar esta amarga receita.
Estamos convivendo com a recessão mental para dar posição à ascensão vaginal. A dança do acasalamento hoje, tornou-se uma coisa grave. Muitos jovens recorrem a anabolizantes de uso veterinário para satisfazer o sexo feminino. Meninas adquirem comportamentos anorexos e bulímicos para agradar e se encaixar nos pênis que desejam. Academias de musculação deixaram de ser um local onde se praticava saúde, para dar lugar à seleção sexual extravagante pra milhares de pessoas. Concordo que as pessoas entram na academia, também, para fins estéticos, não sou contra e muito menos hipócrita. No entanto, isto não deve ser encarado como ato prioritário sobre os benefícios que o exercício físico adequado e regular proporcionam.
Óculos escuros, para muitos jovens, independente de classe social, passaram a ser usados como um acessório chamativo, um patuá, uma bijuteria indispensável à uma melhor aparência – mas raramente como protetor ocular. O que tem de gente que desfila de óculos falsificados achando que está abafando não está no gibi!
Certa vez assisti a um programa em que em algumas das exibições, perguntava-se aos rapazes suas características principais para conquistar uma garota que selecionava vários pretendentes. As respostas oscilavam entre: eu malho; eu como muito carboidrato, proteína e muito cálcio; eu estudo só pra passar; eu bebo muito; eu fico chapado. Se eles classificavam isso como pontos qualitativos mais importantes, é porque estes, eram os mais requeridos no mercado. Até quem se dedica muito ao trabalho pode ser tachado de nerd! “ah, ele é nerd, trabalha muito”.
Esse comportamento era típico da classe alta e média. Hoje a coisa está mais misturada. Para os que estão no mundo do crime, recorrer a fuzis no pescoço os torna sinônimos de poder. Têm jovens que ralam trabalhando pra ganhar 500 reais para no final do mês injetar 800 reais num celular de última geração, numa saia minúscula de 200 reais apenas para se sentir aceita no grupo da moda. E aí meu amigo, não tem quem segure, elas vão até o chão sem nenhum pudor. Chegam a ultrapassá-lo pela abstinência do quero mais para se satisfazer no fundo do poço, o centro gerador da burrice, onde mora o diabo, onde reside a falta de bom senso e o mau exemplo para então flutuar nos valores despreenchidos e perder-se na ausência da gravidade neste espaço sideral de irrealidade ao boom do mercado competitivo, repleto de desempregados e excessiva mão de obra desqualificada.
O que eu acho? Não acho mais nada. Apenas descrevo o que vejo. Nádegas a declarar.
* trecho da letra da música Nádegas a declarar, por Gabriel O Pensador.
LFM
2 comentários:
Concordo plenamente com iversão de valores que tomou conta desse mundo iniquo. A midia incentiva toda essa podridão e as pessoas a absorvem sem se dar conta que estão espiritualmente enfraquecidas, e não se dão conta do ridiculo.
Amei seu estilo você ecreve muito bem, lindo!
beijos Lucia Medeiros
Parabéns pela sua visão bem peculiar quanto ao tal "feminismo" de nosso seculo.
Uma sacada bem espirituosa se posso assim dizer!
Para mim o funk nada mais é que um grito de rebeldia dizendo: tomem cuidado pois estamos chegando com tudo e contaminando o ambiente com tantas palavras chulas e sem sentido.Mas, por outro lado nem tão diferente dos hips dos anos 60/70,que emporcalhavam as ruas praças e usavam drogas,bebidas, sem ter definido seus objetivos.
Artistas revolucionaram a epoca e se estende até o presente momento...Passou,como tudo na vida passa. Sendo hoje lembrado em conversas de bar e em poucos programas da tv.
A personalidade humana esta se moldando de modo torpe.
Um forte abraço.
beijos Cláudia Lucia (penelope)
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