A maconha cria potencialidades para um país pior
Desconfie se o seu filho resolveu promover discursos sobre o uso e o bem da maconha. É estranho que ele esteja muito interessado.
Essas pessoas se empolgam e pegam carona na rabiola do argumento de que a maconha faz bem. Incrementam ainda que ela seja usada como intermédio medicinal em alguns países, como nos Estados Unidos e outros da Europa. Na minha opinião, isso é desculpa pra fumar.
Um cientista da faculdade de medicina clínica Mayo de Scottsdale, do Arizona, afirmou, em matéria do New York Times, que não há estudos científicos suficientes que prove que a maconha possa ser usada para estes fins. Vou explicar o que ele disse: para se comprovar alguma coisa, é necessário que haja não apenas uma ou duas pesquisas que atestem o benefício do princípio ativo que há na planta, hoje podem haver duas publicações científicas corroborando o bem, ao passo que uma semana depois apareçam três indicando o contrário. Se fosse assim, os fabricantes de remédio para emagrecer estariam mais milionários. Enquanto a ciência ainda discute metodologias de pesquisa, já tem gente achando que a maconha já está sendo vendida na farmácia como remédio contra glaucoma. Mas fazer estudos científicos com a maconha a fim de curar doenças não tem nada a ver com o ato de fumar a maconha. Estão procurando chifres em focinho de porco! Aos que batem o pé, sugiro que não se limitem às revistas Superinteressante e Galileu para ler ciência.
Outros adolescentes espertos defendem a liberação da droga no Brasil, justificando que países europeus apóiam esta medida. A maconha é tão bem aceita pelo governo francês que o próprio já lançou faz tempo uma campanha para sensibilizar opinião pública sobre os riscos da droga. A Fundação Britânica do Pulmão, por exemplo, afirmou que fumar três cigarros de maconha por dia causa aos pulmões os mesmos danos que o consumo de um maço inteiro de 20 cigarros comuns. Segundo a executiva-chefe da mesma fundação, o volume de inalação com a maconha é até quatro vezes maior do que com o tabaco, o que resulta em mais monóxido de carbono e alcatrão entrando nos pulmões. Como estão bem informados, estes adolescentes modernos!
Se isso vai ou não acabar com tráfico brasileiro, já são outros quinhentos, como se o tráfico fosse feito só de maconha. Se garantirem que a liberação da droga vai diminuir absurdamente os quase mil homicídios que ocorreram no Estado do Rio de Janeiro deste o dia 1º de fevereiro até meados de maio de 2007, certamente meus conceitos seriam reavaliados. Mas, por enquanto, eu sou mais um achista no montante internacional. Dizer que: “ah, eu acho que vai ser melhor” ou ”ah, eu acho que o crime vai diminuir”, é muito vago. E, além disso, ninguém pode pôr a mão no fogo em dizer que a sociedade vai se comportar se drogando apenas de vez em quando.
Baseado em vários artigos científicos que li, exemplifico alguns males: aumenta os riscos de motoristas sofrerem acidentes no trânsito - ao contrário dos que achavam que isto só era mérito do álcool - eleva o risco de desenvolvimento de psicose e esquizofrenia e potencializa o risco de derrames e de perda de memória. Esse eu confesso que não sabia: usuários freqüentes da droga produzem menos espermatozóides e além disso, essas células gastam mais energia para se locomover do que em um homem saudável. Este estudo pode ter soado engraçadinho, mas ele é um indicativo de que há muitas abordagens que desconhecemos sobre a maconha, demonstrando, portanto, que o buraco é muito mais embaixo.
É muito comum o acesso a este tipo de mato na idade dos descobrimentos. Já tive êne oportunidades baratas de experimentar, mas me satisfaço em rir dos idiotas que acreditam que vêem gnomos e planetas. E além de gastar desnecessariamente dinheiro público, muitos jovens desse país, inclusive uma grande nuvem da classe média e alta, a mesma que sofre tanto com as conseqüências do tráfico de drogas no país, financiam o crime diretamente.
A grande válvula para escape destes gases nocivos reside no poder de decisão de vida e atitudes de muitos pais, coitados, aterrados pela atmosfera atônita da sua ignorância, arrebatados pelo bojo do desconhecimento e cegueira, vêem o amadurecimento dos potenciais caminhos que os filhos seguem para a maconha e outras drogas e simplesmente esfarelam atitudes cabíveis pela falta de moral, porque nunca se preocuparam em descobrir o filho que criavam e aprimorar o entendimento do seu psicológico e dar-lhe responsabilidades. Quando eles acordam, já estão com as cordas ruídas pagando três mil reais à detetives, financiando agentes secretos no colégio do filho e instalando câmeras ocultas no quarto, cheirando a boca, etc.
Algumas pesquisas que li apontaram que muitos pais eram desnorteados em prevenções de potencias de vício. Mas eu digo: não há falta de informação. Só no site da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira – Albert Einstein há disponíveis mais de 600 notícias sobre o assunto, entre matérias de jornais e revistas sérias do mundo inteiro.
Soletrar tetrahidrocanabinol, o famoso princípio ativo da maconha, é tão complicado como a autopromoção de percepções de educação do governo brasileiro e dos pais, que treinam e criam dentro de casa as potencialidades e instrumentos para um país pior.
LFM
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